Razão e vontade na doutrina do livre-arbítrio em Orígenes
Palavras-chave:
Orígenes. Livre-arbítrio. Vontade. Razão. Gnosticismo.Resumo
A doutrina do livre-arbítrio ocupa um lugar central na antropologia teológica de Orígenes. Situado no contexto das controvérsias com correntes gnósticas dos séculos II e III, o autor alexandrino desenvolve uma reflexão sobre a liberdade humana que visa salvaguardar simultaneamente a justiça divina e a responsabilidade moral das criaturas racionais. Este artigo examina a relação entre razão e vontade na concepção origeniana de liberdade, com especial atenção à distinção entre atividade cognitiva e atividade volitiva do princípio racional (hegemonikon). A partir da análise de passagens do De Principiis e de outros escritos do autor, argumenta-se que, para Orígenes, a liberdade não consiste apenas na capacidade de discernir entre o bem e o mal, mas sobretudo na possibilidade de orientar a ação mediante um ato voluntário de adesão ou recusa. Tal distinção permite explicar simultaneamente a possibilidade do pecado, a conversão moral e a diversidade das condições humanas sem recorrer a formas de determinismo natural. Defende-se, por fim, que a doutrina origeniana do livre-arbítrio constitui um elemento fundamental de sua resposta teológica ao problema da origem do mal e à crítica gnóstica da justiça divina.
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