O conceito de discurso na lógica portuguesa do século XVIII: linguagem, inferência e formação do entendimento

Autores

  • Júnior Pereira Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Palavras-chave:

Discurso. Lógica portuguesa. Iluminismo português. Linguagem. Educação. Teodoro de Almeida.

Resumo

O artigo analisa o conceito de “discurso” na lógica portuguesa do século XVIII, investigando suas relações com linguagem, inferência e formação do entendimento no contexto das transformações intelectuais da cultura luso-católica setecentista. Longe de constituir apenas uma operação formal do raciocínio, o discurso era concebido pelos lógicos portugueses como procedimento de ordenação das ideias, disciplina da linguagem e condução racional do pensamento, assumindo funções decisivas nos projetos pedagógicos vinculados às reformas ilustradas portuguesas. A pesquisa articula contribuições do contextualismo linguístico de Quentin Skinner e da história dos conceitos de Reinhart Koselleck para compreender o discurso como vocabulário historicamente situado, mobilizado em diferentes circunstâncias de intervenção intelectual e associado às condições sociais de produção do saber no Portugal do Antigo Regime. Inicialmente, examina-se a reorganização da lógica portuguesa setecentista, marcada pelas tensões entre tradição escolástica, influências cartesianas e projetos reformistas de formação intelectual. Em seguida, analisam-se as reflexões sobre linguagem e significação presentes especialmente na obra de Luís António Verney, observando-se de que maneira a clareza das ideias e a regulação dos usos das palavras passaram a integrar o campo da lógica. Posteriormente, investigam-se as formulações do conceito de discurso em autores como Raphael Bluteau, Manuel de Azevedo Fortes, Luís António Verney, Manuel Álvares e Teodoro de Almeida, identificando a recorrência de um vocabulário inferencial associado à dedução, à comparação de ideias e ao encadeamento racional dos juízos. O estudo demonstra que, embora relativamente estável em sua definição lógica, o conceito assumiu usos historicamente distintos conforme as finalidades pedagógicas, os contextos de circulação das obras e as formas de intervenção intelectual mobilizadas pelos autores. Conclui-se que o discurso constituiu uma categoria central da cultura filosófica portuguesa setecentista, articulando lógica, linguagem e pedagogia em práticas voltadas à formação do entendimento e à regulação dos modos legítimos de raciocinar, argumentar e produzir conhecimento.

Biografia do Autor

Júnior Pereira, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) (2026). Graduado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) (2018), recebeu certificado de honra ao mérito pela maior média entre os formandos. Mestre em História Social pelo Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS/UEL) (2020), com bolsa da CAPES. Possui especialização em Política e Sociedade pela Universidade São Luís (2021). É membro do Grupo de Pesquisa em História Intelectual e Educação (GPHIE/UFPR).

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Publicado

2026-09-14

Como Citar

PEREIRA, J. O conceito de discurso na lógica portuguesa do século XVIII: linguagem, inferência e formação do entendimento. Kairós, Fortaleza, v. 22, n. 1, p. 218–238, 2026. Disponível em: https://ojs.catolicadefortaleza.edu.br/index.php/kairos/article/view/739. Acesso em: 17 out. 2026.

Edição

Seção

Artigos Varia