A ética como ciência do Bem na República de Platão
Palabras clave:
Platão. Ética. Virtude. Felicidade. Bem.Resumen
A ideia do Bem parece ser um conceito inatingível, quase místico, quanto ao seu significado. A dificuldade de interpretação sobre ele deve muito à forma difícil como A República o apresenta, pois, na argumentação dos chamados Livros Centrais da República, o Bem exerce a função de fornecer uma fundamentação mais sólida para a explicação das virtudes cardinais e dos vícios — em especial a justiça e a injustiça, definidas a partir da célebre tese da alma tripartite nos Livros II – IV. Porém, o contexto de discussão em que a Forma Inteligível do Bem é trazida à tona é completamente outro: trata-se da discussão sobre a educação que os guardiões devem receber para se tornarem aptos a governar a Kallípolis. Essa dificuldade interpretativa existente no meio especializado parte de uma possível descontinuidade do pensamento ético de Platão em sua argumentação na República, no que diz respeito à relação entre as virtudes e o Bem, ao ponto de levar alguns intérpretes a concluírem que o argumento da República pode se mostrar uma falácia. Nosso trabalho visa mostrar como o Bem ou Felicidade (conceito com o qual o Bem é equiparado) se relaciona com as virtudes para que a coesão ética de sua argumentação tenha salvaguarda. A partir disso, procuraremos demonstrar tanto como o Bem pode ser ilustrado (já que sua definição é difícil segundo os moldes ontológicos e epistemológicos de Platão) quanto como a “sabedoria prática” e a “sabedoria teórica” estão intimamente ligadas sob a Ideia do Bem.
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