Tecnociência, Antropoceno e Presentismo: Arendt e os efeitos da moderna perplexidade de “agir na natureza”
Parole chiave:
Hannah Arendt. Ação. História. Tecnociência. Presentismo. Antropoceno.Abstract
O artigo analisa a perplexidade arendtiana decorrente de uma experiência central da modernidade com a capacidade humana para a ação: “agir na natureza”, ou seja, o entrecruzamento tecnocientífico entre natureza e história que encarnou a potência da ação para iniciar novos processos, mas deslocando o agir de sua esfera política originária. Quando natureza e ação passam a compartilhar a noção de processo como denominador comum, a ação perde sua capacidade de revelar e gerar sentido para a narrativa histórica, enfraquecendo o vínculo com a imortalidade e a necessidade da história. Em diálogo com outros autores e conceitos, o artigo analisa de que modo “agir na natureza” nos levou à seguinte perplexidade: ingressamos em um novo regime planetário (Antropoceno) no qual a humanidade se torna agente geológico, mais do que apenas agente histórico, historicizando e acelerando a natureza, enquanto a esfera histórico-política da ação humana se encontra atrofiada, bloqueada ou estagnada pelo predomínio de um regime de historicidade presentista.
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