Para além da pólis: phrónesis e kairós na parábola do Bom Samaritano

Autores/as

Palabras clave:

Aristóteles. Ética das virtudes. Prudência. Bom Samaritano. Alteridade.

Resumen

Este artigo interpreta a parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25–37) a partir da ética das virtudes em Aristóteles, com ênfase na noção de phrónesis (prudência). Por meio de uma abordagem hermenêutica e de análise conceitual, examina-se a prudência como categoria capaz de iluminar a estrutura ética da narrativa lucana, articulando deliberação prática, alteridade e responsabilidade diante da vulnerabilidade humana. Argumenta-se que a figura do samaritano expressa uma racionalidade prática situada, na qual a decisão moral não decorre da aplicação de princípios universais abstratos, mas do discernimento das circunstâncias singulares da ação. No diálogo entre filosofia aristotélica e exegese bíblica, sustenta-se que a parábola configura uma expressão da prudência em ato, na qual a percepção, afeto e ação se articulam de modo indissociável. Evidenciam-se convergências estruturais e tensões conceituais entre a racionalidade aristotélica e a teologia lucana, especialmente no que se refere à ampliação da responsabilidade ética para além dos limites da reciprocidade comunitária. O estudo ressalta a atualidade da ética das virtudes diante das limitações dos modelos normativos baseados estritamente em regras.

Biografía del autor/a

Everton de Jesus Silva, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Pós-doutorando no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGFIL/UFRRJ). Doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestre em Filosofia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Citas

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Mário da Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.

AUBENQUE, Pierre. A Prudência em Aristóteles. Tradução de Marisa Lopes. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2008.

BAILEY, Kenneth E. As parábolas de Lucas. São Paulo: Vida Nova, 1995.

Bíblia de Jerusalém. Nova edição revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

JEREMIAS, Joachim. As parábolas de Jesus. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 1980.

LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e infinito. Tradução de José Pinto Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 2008.

MACINTYRE, Alasdair. Depois da virtude: um estudo em teoria moral. Bauru: EDUSC, 2001.

NUSSBAUM, Martha C. A fragilidade da bondade: fortuna e ética na tragédia e na filosofia grega. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009.

RICOEUR, Paul. O Si-mesmo como um outro. Tradução de Lucy Moreira Cesar. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2014.

Publicado

2026-09-14

Cómo citar

SILVA, E. de J. Para além da pólis: phrónesis e kairós na parábola do Bom Samaritano. Kairós: Revista Acadêmica da Prainha, Fortaleza, v. 22, n. 1, p. 251–264, 2026. Disponível em: https://ojs.catolicadefortaleza.edu.br/index.php/kairos/article/view/743. Acesso em: 17 oct. 2026.

Número

Sección

Artigos Varia